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"A BASE PARA A FLEXIBILIDADE
DO SOBREVIVENTE“
Os sobreviventes me intrigavam a princípio.
Eles eram sérios e bem-humorados, árduos
trabalhadores e preguiçosos, autoconfiantes e
auto-críticos, Eles não são nem
de um jeito, nem de outro, eles são de ambos
os jeitos.
Essa era uma forte barreira mental para ser superada.
A maioria das avaliações de personalidade
vêem a pessoa ou de um jeito ou de outro, nunca
ambos. A revista Psychology Today, por exemplo, conduz
uma pesquisa perguntando aos leitores que indiquem as
qualidades do homem ideal. O questionário lista
qualidades em pares, e então pede aos leitores
que escolham entre elas. È perguntado: "O
homem ideal é extrovertido ou introvertido? Critico
ou complacente? Sempre autoconfiante ou inseguro?",
e assim por diante. Pesquisas como essas, lhe forçam
a responder apenas às escolhas que eles oferecem.
Um formulário que contenha: "tudo que está
acima", ou, "depende da situação",
é visto como inválido e então é
descartado..
Muitos autores escrevem sobre pessoas que são
"otimistas", ou, "pessimistas",
como personalidades do tipo A, ou tipo B. No entanto,
muitos sobreviventes são tanto otimistas quanto
pessimistas, trabalhadores árduos quanto preguiçosos.
Como pode uma pessoa ser tanto de um jeito como o oposto
disso? Qual a relação existente entre
ser um sobrevivente e possuir características
paradoxais de personalidade?.
Quando eu pergunto a sobreviventes se há alguma
qualidade ou característica que contribui mais
para ser um sobrevivente, eles normalmente respondem
sem hesitação. Eles dizem tanto "flexibilidade"
quanto "adaptabilidade"..Isso faz sentido,
mas então penso: "Como você usa a
flexibilidade? O que faz ser possível à
flexibilidade mental e emocional?".
Nós descobrimos uma resposta nos escritos de
T. C. Schneirla, um cientista famoso por seus estudos
do comportamento animal. Depois de anos de pesquisa,
ele concluiu que para qualquer criatura sobreviver,
ela deve ser capaz de se mover em direção
à comida e à segurança ou para
longe do perigo. Schneirla descreveu a habilidade de
se aproximar, tanto quanto se afastar como "um
padrão bifásico de ajuste".
Os padrões bifásicos de movimento são
possíveis a nós por causa dos sistemas
musculares opostos em nossos corpos. Nós temos
o controle sobre nossas ações físicas
por causa do trabalho muscular oposto entre o flexor
e o extensor. Nossa habilidade de mover nossas mãos
e colocá-las exatamente onde queremos, vem de
termos os músculos em oposição
controlada um em relação ao outro..
Esse controle equilibrado de oposição
é como ter a marcha à ré no carro.
Sem isso, o carro fica parado em lugares onde seguir
em frente não é possível. Forças
equilibradas de oposição estão
trabalhando quando estamos num elevador. Podemos pará-lo
onde queremos por causa do contra-peso que desce pelo
cabo do outro lado de uma grande roldana. Os guindastes
de construção, os mais altos, são
um outro exemplo do sistema de contra-peso. Um peso
maciço contra-balança o braço levantado..
Assim como podemos mover nossos corpos de várias
maneiras diferentes por causa dos nossos sistemas musculares
opostos, nós podemos ter emoções
contraditórias derivadas dos sistemas nervosos
do simpático e parassimpático que trabalham
em oposição controlada..
O sistema nervoso parassimpático nos permite
responder com relaxamento, tranqüilidade, enquanto
o sistema nervoso do simpático nos permite ter
uma reação de "briga ou fuga"
em outras situações..
Esse contra-balanço dos sistemas nervosos nos
dá um grau de reações diferentes
para circunstâncias diferentes. Porque nós
temos dois sistemas nervosos trabalhando em oposição
controlada, nós podemos correr em direção
a algo com alegria ou para longe com medo. Porque nós
podemos fazer ambos, temos alguma escolha sobre responder
de um jeito ou de outro.
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