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Tecnologia em processos de seleção de mão-de-obra

Processos de qualidade de seleção de mão-de-obra podem trazer economia de tempo, dinheiro e maior qualidade na execução no canteiro de obras, se forem contratados profissionais com tendência comportamental adequada às atividades a serem desenvolvidas na obra.

Tomemos dois exemplos de processos seletivos de operários para a construção civil:
 
Há processos de recrutamento e seleção realizados por agências de emprego ou consultorias de RH e geralmente ocorrem sob pressão de tempo. As agências de empregos contratadas disparam a seleção prévia das centenas de fichas de seus arquivos ou preenchidos nas longas filas na porta da agência em resposta a anúncios. Em seguida, fazem os contatos (ou tentativas de) com os candidatos e as entrevistas com os que foram localizados, os que estão disponíveis e interessados no trabalho. O entrevistador tem pressa em enviar as pessoas para o cliente pois é bastante comum clientes trabalharem com outras agências e contratarem os profissionais que chegarem primeiro. Os entrevistadores desenvolvem uma grande habilidade para perceber o candidato em entrevistas muito breves, tentando obter informações complexas, tais como: se o candidato é equilibrado, se tem saúde física/mental/emocional, se é honesto, se tem vícios, se é responsável, estável, se tem vontade de trabalhar, etc.

Há processos menores, que não passam pelas agências de empregos. O encarregado da obra, ou o empreiteiro, o mestre, o líder, entrevista candidatos que vêm por indicação de outros operários, de colegas, de parentes. Esse líder de equipe tem “olho clínico”, conhece de longe se o sujeito tem perfil para trabalhar com ele ou não, se é bom tecnicamente, se é honesto, se vai dar trabalho, se é limpo, etc. Aqui referências contam mais. Família, antecedentes, religião também ajudam o candidato a ser contratado.

O que observamos de comum nos dois casos e em todos os demais casos não citados, é que não há garantias de que se faz a escolha certa. Nenhum processo seletivo, por mais abrangente, completo, minucioso que seja, pode assumir que garante 100% de acerto na escolha. Sabendo disso, as partes - o empregador, a agência ou o encarregado e o candidato - ficam ansiosas e apreensivas.
 
Para auxiliar o ser humano a diminuir o risco e aumentar a certeza, lançamos mão de ferramentas de seleção, como avaliações de tendências comportamentais. Há muitos produtos no mercado e cada organização encontrará os que melhor lhe atendem, mas alguns fatores mais importantes devem ser contemplados na análise:
 
Estilo de ação: as pessoas têm mecanismos internos de decisão diferentes. Há os que são independentes, atirados, têm iniciativa, assumem riscos, saem na frente, ousam, se expõem. E há os que cooperam, auxiliam, pensam em equipe, dão apoio à liderança, são solícitos, põem “panos quentes”, são os “conselheiros do rei”.
 
Estilo de comunicação: indica como cada um se comunica: Há os que se relacionam bem com as pessoas, falam bem, têm poder de persuasão, de convencimento, vendem idéias, são simpáticos, eloqüentes. E há os mais concentrados, os que têm um diálogo interno mais freqüente que o externo, focam-se numa atividade, tem raciocínio analítico, inventivo, imaginativo, com senso de adequação, “só abrem a boca quando têm certeza”.
 
Relação com o tempo: cada um se relaciona de uma forma com o tempo. Encontramos pessoas que são calmas, pacientes, sabem esperar o tempo certo para cada coisa, calculam bem de quanto tempo precisam, fazem uma coisa de cada vez e vão até o fim. Outras são agitadas, rápidas, aceleram os colegas, fazem diversas coisas ao mesmo tempo e sabem reorganizar as prioridades quando necessário.

Relação com referenciais externos: regras, normas, procedimentos têm significado diferente para cada um. Há os que seguem bem regras e procedimentos, precisam da “receita do bolo” para trabalharem bem, são detalhistas, minuciosos, acompanham cada etapa, têm alto senso de dever, necessitam de ambientes controlados para se sentirem seguros, gostam de rotina. E há os que seguem seus referenciais internos, criam melhores maneiras de fazer as coisas, inventam, improvisam, dão um jeito pra tudo, não se preocupam, com eles “não tem tempo quente”.
 
Considerando essa variedade de comportamentos e considerando todo o gradiente entre um e outro, a resultante de suas combinações, o empregador poderá definir qual o melhor comportamento esperado de cada operário conforme a tarefa que lhe for atribuída na obra. Por exemplo, como seria um bom assentador de pisos e azulejos? Ele precisará ter mais iniciativa, pensar mais por conta própria ou obedecer e ajudar mais? Ele precisará ter comunicação fluente ou é melhor que seja concentrado? Paciência é uma qualidade desejável ou ele deverá ser rápido? É preciso que ele siga regras ou que ele tenha jogo de cintura para inovar?
 
Um bom assentador de pisos numa obra pode não ser bom em outra. As variáveis “chefe”, “colegas” e “características do trabalho” influenciam e muito. Vale ressaltar que todos nós somos de uma maneira na maior parte do tempo e, eventualmente, quando necessário, sabemos ser da maneira oposta. Mas, para escolher o melhor operário para a melhor função, levamos em conta as características constantes, aquelas que são manifestadas na maior parte do tempo.
 
Essas inúmeras possibilidades de combinações é que, contraditoriamente, darão mais certeza na contratação. Quando os candidatos têm sua tendência comportamental mapeada, os selecionadores podem começar o trabalho eliminando os que não têm os fatores desejáveis, reduzindo, logo de início, seu universo de trabalho. Quando o candidato é aprovado, o selecionador ainda tem a possibilidade de aumentar o sucesso da contratação, explicando ao chefe os pontos fortes e fracos do trabalhador, diminuindo os riscos de surpresas ao longo do tempo e possibilitando um gerenciamento mais eficaz. Após a contratação, o turnover na obra pode ser reduzido, melhora-se a qualidade das tarefas, aumenta-se o número de operários que gostam do que fazem e fazem o que gostam.

Vale o alerta para se evitar ferramentas em outros idiomas ou as que têm somente o texto traduzido para o idioma português. A maioria dos métodos disponível no Brasil foi criada por volta da década de 50 em outros países, sendo necessária uma adaptação das métricas e do modelo estatístico para que os resultados sejam coerentes com a realidade dos brasileiros do início do século 21. O Brasil produz tecnologia de alto nível para RH, inclusive exportando know-how, ferramentas e consultoria a outros continentes, abrindo assim mais uma área de atuação para profissionais de tecnologia.
  
Processos de seleção com tecnologia específica apresentam comprovadamente resultados onde todos ganham.

Adriana Vazzoler Mendonça
Arquiteta e Urbanista
[trabalha com desenvolvimento de
tecnologia de seleção e coaching
como consultora da
Quantum Assessment]  

 
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