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Alegria é coisa séria
Não existe
nenhuma coisa séria que não possa ser
dita com um sorriso.
Alejandro Casona, dramaturgo espanhol
Estou lendo Soluções de Palhaços
de Morgana Masetti, que conta um pouco do histórico
dos Doutores da Alegria e algumas das estórias
de suas intervenções nos hospitais. Uma
imagem que retrata a alma deste trabalho de levar alegria
a crianças doentes em hospitais brasileiros é
mostrada neste texto “Iguais que sorriem”
narrando um primeiro encontro do médico (personagem
central) e seus “colegas” palhaços:
...”Ei, colega! Ficamos sabendo que você
é novo por aqui e viemos cumprimentá-lo”...Diante
dele se apresentavam, para um aperto de mãos,
dois palhaços vestidos como médicos...Eles
se apresentaram como especialistas em transfusões
de milk shake e “extração de mau
humor”. Um carregava um estetoscópio feito
de um desentupidor de pia. Outro demonstrava, com uma
fita métrica, sua técnica de medir chulés.
E assim começou uma amizade entre “colegas”.”(pág.22*)
Nesta estória deparei com um relato muito interessante
sobre a trajetória de deste médico, suas
certezas e dúvidas. O relato aponta uma possível
dicotomia entre seriedade e alegria, o divino e o terreno,
a dureza e a suavidade, a alma e o corpo, o sentimento
e a razão, a vida e a morte.
Conta ainda o texto: “... seu atual trabalho era
feito dessa incoerência: quanto mais ele se via
diante do sofrimento humano, mais a sua alma endurecia...
Dentro dele morava a recordação de um
adolescente que sonhara fazer medicina para ligar-se
com o divino. E assim foi. A primeira vez que se encontrou
com o divino foi em um parto... A segunda foi ao presenciar
uma parada cardíaca. Era a primeira vez que via
alguém morrer... com o tempo a morte já
não o fazia refletir, embora desacelerasse o
ritmo de seus pensamentos por alguns momentos. A velocidade
das responsabilidades, o volume de trabalho e a necessidade
da sobrevivência o colocavam num mundo duro. Sabia
que no fundo sua essência não era feita
assim.” (pág.22/23*)
O sorriso que
dás volta para ti mesmo.
Provérbio Indiano
Em maior ou menor grau essa dicotomia, essas sensações
e reflexões também aparecem em nosso cotidiano,
principalmente profissional. Muitas vezes, nós
profissionais nos colocamos em situações
(ou as criamos) em que trabalhar é sinônimo
de coisa séria. E não é verdade?
Trabalhar é muito sério.
Uma pergunta: o que essa seriedade tem a ver com falta
de alegria, diversão, brincadeira. Isso mesmo
brincadeira! Os meios produtivos e grande parte dos
adultos estão acostumados a considerar (e ouvir
isso por todos os meios de comunicação)
que qualquer ação ligada ao brincar ou
diversão é desvinculada de relações
e soluções produtivas.
O riso é
a distância mais curta entre duas pessoas.
Víctor Hugo
Olhando para o exemplo dos Doutores da Alegria, alguém
pode dizer que este trabalho não é sério?
Que não traz resultados? Vamos lembrar que a
profissão de palhaço é brincar,
divertir, trazer alegria.
Quantos de nós conseguimos realmente agregar
essas reflexões e sensações com
equilíbrio em nossa vida profissional, sem torná-las
dicotômicas?
A primeira reação que eu tive ao ler
o texto até o final foi pensar que: todos os
médicos deveriam ser “obrigados” a
ler esse livro ou fazer estágio com os Doutores.
Em seguida pensei, só eles? Por que nós
profissionais da vida “produtiva” não
fazemos as mesmas reflexões ou buscamos os mesmos
estímulos para esse movimento interno.
Nos interessa reunir qualidade e produtividade quando
pensamos nos conceitos profissionais. Hoje, as empresas
já descobriram que a produtividade cresce conforme
aumenta a qualidade de vida de seus profissionais. Aqui
cabe uma reflexão sobre o conceito de qualidade
de vida difundido pelo mundo corporativo. Ainda assim,
vale a pergunta mais importante. É possível
ter qualidade de vida sem alegria?
Pare um minuto, respire fundo, sinta seu corpo e responda
sinceramente: Você está feliz realizando
seu trabalho? Você se sente realizando algo? O
que você faz é importante para você
e para os outros?
Espero que sim. Caso sua escala não esteja atingindo
índices confortáveis (viu, se quiser é
possível medir até a alegria!!), feche
novamente seus olhos e imagine um lindo, vermelho e
redondo nariz de palhaço no seu rosto. Olhe a
sua volta agora, sinta a oportunidade de ver tudo mais
colorido e passível de mudança, o céu
é o limite!!! Tudo parece (e é) mais fácil
e simples quando olhamos com as lentes do otimismo.
Os problemas, as pessoas, os desafios, as oportunidades,
o chefe, o salário, os objetivos, o cotidiano
podem ser vistos com alegria, mais coloridos e com toda
a seriedade que os resultados exigem.
Aprenda a sorrir que você conseguirá desamarrar
os nós mais apertados, porque quando sorrimos
tudo se alarga, os horizontes se expandem, os corações
transbordam de alegria!
Um sorriso significa
muito. Enriquece quem o recebe, sem empobrecer quem
o oferece; dura apenas um segundo, mas a sua recordação,
por vezes, nunca se apaga.
Autor desconhecido
Osvaldo Montoro
Analista Quântico
| *Indicação
de Leitura: |
Soluções de Palhaços
Transformações na Realidade Hospitalar
Morgana Masetti
Editora Palas Athena – 1997
www.doutoresdaalegria.com.br |
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